Autor: Baderna Midiática

  • Severamente punidos – a mídia demoniza o Black Block

    Corpo de Carlo Giuliani, militante assassinado com dois tiros a queima roupa pela polícia de Gênova
    Corpo de Carlo Giuliani, militante assassinado com dois tiros a queima roupa pela polícia de Gênova, em 2001. Clique na foto para assistir o video.

    O vídeo denuncia a campanha midiática contra o movimento Black Block como uma estratégia para criminalizar os protestos e incentivar a repressão policial. Lembramos aqui que o mesmo aconteceu em Gênova em 2001. A campanha da mídia italiana contra os Black Blocks legitimou a repressão policial que resultou na morte de Carlo Giuliani, assassinado por um policial com dois tiros a queima-roupa durante uma manifestação, e no massacre da escola Diaz, quando uma operação envolvendo mais de 300 policiais deixou 82 feridos, 63 hospitalizados e uma jovem em coma.

    Um massacre midiático prepara sempre um massacre real. Violenta é a mídia!

  • Globo: a verdade é mais dura

    Roberto Marinho e o ditador Figueiredo
    Roberto Marinho e o ditador Figueiredo

    A Globo pediu perdão por ter apoiado o golpe de 1964, mas esqueceu de dizer o quanto ela lucrou com ele. Seu apoio ao regime não foi uma questão de consciência ou de ética resultante de uma má avaliação política. Ela simplesmente ganhou mais concessões e com isso mais poder e dinheiro. Ela não optou torcer por um time que roubou, nem teve uma avaliação errada ao escolher um lado num conflito. Ela fez o que fez para ganhar dinheiro, é claro que com certa coincidência de valores entre ela e o lado escolhido.

    Seria mais sincero dizer: “sim, apoiamos o regime militar, sim, a verdade é dura, mas assim é o sistema que defendemos, que é o capitalismo e não a democracia”. Nesse sistema, uns investem no seguro, outros no arriscado. A Globo preferiu investir no seguro para ter um retorno garantido, estável e lucrativo. Seu compromisso é, ainda hoje, com o próprio lucro e não com a democracia. Seu apoio aberto e sistemático à ditadura garantiu a construção de um império midiático. Garantiu também a perpetuação da própria ditadura e vem contribuindo para a preservação de suas piores heranças.

    A verdade é ainda mais dura: a Globo cresceu graças a seu apoio à ditadura.

    Enquanto houver o monopólio da mídia que a ditadura alimentou não haverá democracia.

  • 20 anos do Massacre de Vigário Geral

    20 anos do Massacre de Vigário Geral
    20 anos do Massacre de Vigário Geral

    Na noite de 29 de agosto de 1993 mais de 50 policiais encapuzados entraram na favela de Vigário Geral para executar seus moradores. “Vingaram” a morte de 4 policiais alguns dias antes atirando em alvos aleatórios, sendo que dos 21 mortos nenhum tinha relação com o crime organizado. Uma família inteira, de sete pessoas, foi assassinada.

    45 dos 52 policiais acusados formalmente pelo massacre foram inocentados por falta de provas.

    Quem mesmo promove a violência?
    Onde mesmo está o “fascismo”?

  • Violência, mas para quê?

    Dica de leitura: em um momento em que a palavra “violência” parece não sair da boca de todos os porta-vozes da mídia, vale perguntar: “violência, mas para quê?”

    O texto do filósofo alemão Anselm Jappe apareceu no Brasil no momento justo: junho de 2013. Foi, porém, escrito em 2009, tendo como motivação a prisão sob acusação de “terrorismo”(!) de 9 anarquistas na cidade de Tarnac, na França, que teriam supostamente planejado um ataque a uma linha de trem. Se tinham de fato planejado algo, o que nunca foi provado, isso não teria sido mais do que a sabotagem de uma linha de alta velocidade. A França “foi muito longe no apagamento das fronteiras entre terrorismo, violência coletiva, sabotagem e ilegalidade”, afirma Jappe. Mas isso não diz respeito apenas ao país europeu: “essa criminalização de todas as formas de contestação não estritamente “legais” é um grande acontecimento de nossa época”, e coloca a nu o funcionamento da “democracia” atual:

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    Clique na imagem para ler o livro

    “Toda e qualquer oposição à política das instâncias eleitas que vai além de um abaixo-assinado ou de uma carta ao deputado local é por definição “antidemocrática”. Em outras palavras, tudo o que poderia ser minimamente eficaz é proibido, mesmo o que ainda era permitido há não muito tempo.”

    Mas isso não significa fazer uma apologia incondicional da violência. Não se deve confundir violência com radicalidade. Como bem lembra Jappe: “Admirar a violência e o ódio enquanto tais ajudará o sistema a descarregar a violência em bodes expiatórios”. É preciso que essa violência seja devidamente acompanhada de uma critica do funcionamento do capitalismo – logo, do valor, do trabalho, do capital, da concorrência – para que o sentimento de humilhação que o controle nos impõe possa levar à uma subversão inteligente e não a um simples massacre.

    Para acessar o livro completo, clique na imagem acima

  • A violência da horda

    canudosO próprio Euclides da Cunha (…) não encara as coisas do ponto de vista político, chegando até a condenação de Canudos como fenômeno de horda, com a renascença das hordas que, aliás, é uma linguagem que a nova direita está usando muito hoje, no Brasil. Isso esvazia politicamente as manifestações – se é horda, justifica-se o uso do Napalm. Toda ideologia hoje é vinculada com a guerra direta; sempre esteve, mas hoje mais do que nunca. Glauber Rocha, Entrevista (1980)

  • Hino à Rua

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    Primeira ação do coletivo Baderna Midiática, o Hino à Rua é fruto da experiência das grandes manifestações de junho de 2013. A música é inspirada na canção da resistência italiana ao fascismo I ribelli della montagna e é acompanhada, em sua versão completa, por uma poesia que expressa muito do que vivemos e sentimos desde então. Contra a violência do Estado, a manipulação midiática e todas as formas de opressão, defendemos a ocupação das ruas por um mundo mais livre e igualitário.

    O vídeo está disponível nas versões completa e compacta, com legendas em quatro idiomas. Postamos aqui no blog a letra da canção e a poesia em português, espanhol, inglês e francês, além da cifra para violão. Também indicamos os links para baixar o video em formato avi e a música em MP3 (você também pode ouvir online via SoundCloud). As repercussões da canção e do video em outras mídias e nas ruas podem ser acompanhadas aqui.

     

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  • Nas mídias e nas ruas

    Hino à Rua na Revista Forum

    Hino à Rua na Caros Amigos

    Hino à Rua no Brasil de Fato

    Hino à Rua no Blog da Maria Frô

    Referência ao Hino à Rua na Marcha das Vadias de Alagoas
    Referência ao Hino à Rua na Marcha das Vadias de Alagoas
    Referência ao Hino à Rua na Marcha das Vadias de Alagoas
    Referência ao Hino à Rua na Marcha das Vadias de Alagoas

     

     

    Projeção do Hino à Rua no Manifesta (Brasília, 09/09/2013)
    Projeção do Hino à Rua no Manifesta (Brasília, 07/09/2013)
    Projeção do Hino à Rua no Manifesta (Brasília, 09/09/2013)
    Projeção do Hino à Rua no Manifesta (Brasília, 07/09/2013)
  • Hino à Rua – Letra completa

    Ela é mais que o asfalto onde eu piso
    Ela é o caminho que nos leva à liberdade
    Quando os povos oprimidos a conquistam
    É a parte mais bonita da cidade
    É ela quem escuta os nossos gritos
    O riso, o choro, o lamento de dor
    As bombas, disparos, os golpes brutais
    De quem pratica a guerra e fala em paz

    [Refrão]
    Ela é dos cantos, das batucadas
    É o povo unido quem a detém
    É das bandeiras, das barricadas
    Ela é de todos porque é de ninguém
    Não é dos chefes, nem dos patrões
    Não é uma posse, não é um bem
    Nem dos Estados, nem das nações
    Ela é de todos porque é de ninguém

    Rua. Segundo lar
    Primeiro campo de futebol

    Te querem apenas caminho
    pra quem te depreda com fumaça preta

    Te querem assunto de urbanistas
    engenheiros
    criminologistas

    Eu te quero assunto de poetas
    De amantes
    e de povos rebelados

    Te quero
    dos que te construíram e que hoje não te podem desfrutar
    Porque foram descartados, porque foram despejados

    Toda ocupação que resiste no centro da cidade
    tem um pouco de quilombo

    Ameaça ao latifúndio urbano
    Monocultura cinza movida a petróleo e suor
    O suor de quem vem nos trens lotados

    Todo busão que vem cheio das quebradas, que vem cheio de catracas
    tem um pouco de navio negreiro
    Transporte desumano de carne humana
    Pra ser moída e desossada no trabalho

    Rua, você é de todos
    Que fora do trabalho são suspeitos
    De roubar, de depredar, de discordar
    Ou de não contribuir pro crescimento do Produto Interno Bruto

    Quem veste um capuz e extermina na favela é um pouco capitão-do-mato

    Rua
    Te quero das mulheres ensinadas desde cedo que só podem brincar dentro de casa
    porque a rua é perigosa, porque a rua é violenta
    porque a rua é dos meninos que não sabem respeitar

    Rua eu te conheço, quem te faz uma ameaça às meninas e mulheres
    É a mesma opressão que torna as casas inseguras
    Mais que as ruas

    A rua é de todos os amores
    É daqueles que tiveram que ocupa-la
    pelo direito de existir

    Todo discurso moralista que se opõe à igualdade
    Que se opõe à autonomia sobre o corpo
    É um pouco tribunal da Inquisição

    A rua não comporta privilégios
    Não tem dono nem tem preço

    É como o vento, o sol, a chuva
    o calor, as nuvens, cores
    minha alegria e minhas dores

    Por isso hoje eu vim pra rua

    13 de junho de 2013, noite fria
    Ocupamos a rua para devolver o que é dela de direito
    O lugar da assembleia mais legítima

    Na televisão 5 mil vândalos sem causa interrompiam o trânsito

    Nas ruas
    15, 20 ou 30 mil lutavam por uma vida sem catracas

    Nos chamavam “loucos” como chamavam os balaios que encaravam o poder de peito aberto
    em um país construído sobre corpos, assentado sobre o sangue
    Dos explorados

    Nos chamavam “criminosos violentos” como chamam violento ao rio que tudo arrasta
    Mas não as margens que o oprimem

    Criminosos também eram chamados os luditas
    panteras negras, zapatistas, feministas
    milicianos da Espanha, guerrilheiros da América Latina

    insurretos de Istambul, do Cairo e de Atenas
    de Buenos Aires, de Paris, de Cochabamba
    de Pequim, de Porto Príncipe, de Gaza
    de Londres, de Soweto, de Lisboa

    Trabalhadores anarquistas da Itália ou de São Paulo
    quilombolas da Jamaica ou da Bahia
    rebeldes e poetas de todas as periferias

    Loucos, criminosos, estudantes
    Nos querem dentro de hospícios, de cadeias, de escolas
    Longe das ruas

    Querem as grades, os muros, as cercas, as catracas
    Uma cidade em que circulam carros, mas onde as pessoas
    São confinadas

    Jornalistas, doutores, políticos não podem entender
    Que democracia é muito mais que apertar um botão de vez em quando

    Que estamos dispostos a fazer a nossa história mesmo nas piores condições
    Que não temos ilusões, nem vivemos fantasias
    Somos aqueles que se movem
    E por isso sentimos o peso das correntes que nos prendem

    Eles podem mas não querem entender
    Que já sabemos que o Estado e o capital são gêmeos siameses
    Vivem brigando, mas partilham o mesmo sangue e o mesmo coração
    Nasceram juntos e juntos vão morrer pelas mãos dos explorados

    Que já sabemos que o estado de exceção em que vivemos
    É na verdade regra geral
    Que essa paz que oferecem não é nada além de medo

    Que passado este medo não haverá quem defenda suas mansões
    E não vai faltar quem abra as portas pelo lado de dentro

    Que em tempo de desordem sangrenta e confusão organizada
    nada nos parece natural
    Nada nos parece impossível de mudar

    Que agora as mentiras da TV são motivos de piada
    Que o rei está nu e sua foto tá nas redes sociais

    Que foi nos organizando que nós desorganizamos
    E que é desorganizando
    que vamos nos organizar

    Nada do que venha a acontecer vai tirar de nós o sentimento
    de ter tomado o céu de assalto
    de ter presenciado quando a vida surgiu de uma nuvem de gás lacrimogêneo

    Arrancamos a política das malhas do mundo profano

    Nossas palavras dedicamos a
    Ademir, André, Carlos Eduardo
    Cleonice, Douglas, Eraldo
    Fabrício, Igor, Jonatha
    José Everton, Lucas, Luiz
    Marcos, Renato, Roberto, Valdinete

    E a todas as vítimas anônimas da violência do Estado
    em sua defesa feroz do capital

    Na rua nenhum monumento é inocente
    Nela os que tombaram ressurgem pra lutar ao nosso lado

    Os mortos não estarão em segurança se o inimigo vencer
    Combatemos para que não morram a morte do esquecimento
    Combatemos para impedir o inimigo de vencer

  • Hino à Rua – Cifra

    Intro: Em – D – Em – D – C – Bm – Em – D

    Em                         D
    Ela é mais que o asfalto onde eu piso

    Em                        D
    Ela é o caminho que nos leva à liberdade

    C                    Bm
    Quando os povos oprimidos a conquistam

    Em                    C
    É a parte mais bonita da cidade

    Em                         D
    É ela quem escuta os nossos gritos

    Em                  D
    O riso, o choro, o lamento de dor

    C                    Bm
    As bombas, disparos, os golpes brutais

    Em              D       C       Em
    De quem pratica a guerra e fala em paz

    [Refrão]

    G               D
    Ela é dos cantos, das batucadas

    C             Em
    É o povo unido quem a detém

    G                D
    É das bandeiras, das barricadas

    Em                    C
    Ela é de todos porque é de ninguém

    G                 D
    Não é dos chefes, nem dos patrões

    C               Em
    Não é uma posse, não é um bem

    G                D
    Nem dos Estados, nem das nações

    Em                   C
    Ela é de todos porque é de ninguém

    Intro 2x : Em – D – Em – D – C – Bm – Em – D

    Em                         D
    Ela é mais que o asfalto onde eu piso

    Em                        D
    Ela é o caminho que nos leva à liberdade

    C                    Bm
    Quando os povos oprimidos a conquistam

    Em                    C
    É a parte mais bonita da cidade

    Em                         D
    É ela quem escuta os nossos gritos

    Em                  D
    O riso, o choro, o lamento de dor

    C                    Bm
    As bombas, disparos, os golpes brutais

    Em              D       C       Em
    De quem pratica a guerra e fala em paz

    [Refrão]

    G               D
    Ela é dos cantos, das batucadas

    C             Em
    É o povo unido quem a detém

    G                D
    É das bandeiras, das barricadas

    Em                    C
    Ela é de todos porque é de ninguém

    G                 D
    Não é dos chefes, nem dos patrões

    C               Em
    Não é uma posse, não é um bem

    G                D
    Nem dos Estados, nem das nações

    Em                   C
    Ela é de todos porque é de ninguém

    Intro: Em – D – Em – D – C – Bm – Em – D

    Em              D
    Ela é dos cantos, das batucadas

    Em            D
    É o povo unido quem a detém

    C                Bm
    É das bandeiras, das barricadas

    Em                   D
    Ela é de todos porque é de ninguém

    Em                D
    Não é dos chefes, nem dos patrões

    Em              D
    Não é uma posse, não é um bem

    C                Bm
    Nem dos Estados, nem das nações

    Em                   D
    Ela é de todos porque é de ninguém

  • Hymne à la Rue, en Français

    Elle est plus que l’asphalte où je marche
    Elle est le chemin qui nous porte à la liberté
    Quand les peuples opprimés la conquièrent
    Elle est la partie la plus belle de la ville
    C’est elle qui entend nos cris
    Le rire, le pleur, le cri de douleur
    Les bombes, les tirs, les coups brutaux
    De qui fait la guerre et parle de la paix

    Elle est aux chants, aux tambours
    C’est le peuple uni qui la détient
    Elle est aux drapeaux, aux barricades
    Elle est à tous, parce qu’elle n’appartient à personne
    Elle n’est pas aux maîtres, ni aux patrons
    Elle n’est pas une possession, ni un bien
    Ni aux États, ni aux nations
    Elle est à tous, parce qu’elle n’appartient à personne

    Rue. Second chez-soi.
    Premier terrain de foot.

    On veut que tu sois juste un chemin
    Pour qui te ruine avec de la fumée noire

    On veut que tu sois un sujet des urbanistes,
    Des ingénieurs
    Des criminologues

    Je veux que tu sois un sujet des poètes,
    Des amants,
    Et des peuples insurgés

    Je veux que tu sois
    À ceux qui t’ont bâtie et qui ne peuvent pas en profiter
    Parce qu’ils ont été rejetés, chassés

    Toute occupation qui résiste dans le centre ville
    A quelque chose de quilombo

    Elle menace la grande propriété urbaine
    Monoculture grise nourrie de pétrole et sueur
    La sueur de qui arrive dans les trains affolés

    Chaque bus qui arrive affolé des banlieues, plein de tourniquets
    A quelque chose de bateau négrier
    Transport inhumain de chair humaine
    Pour être hachée et désossée dans le travail

    Rue, tu es à tous
    À ceux qui hors du travail sont soupçonnés
    De voler, de vandaliser, de contester
    Ou de ne pas contribuer pour la croissance du produit interne brut

    Celui qui porte la capuche pour tuer dans les favelas a quelque chose de chasseur d’esclaves

    Rue,
    Je veux que tu sois aux femmes qui ont toujours appris à ne jouer que dans la maison
    Parce que la rue est dangereuse, violente
    Parce que la rue est des garçons qui ne respectent pas

    Rue, je te connais, ce qui te fait une menace aux femmes et aux jeunes filles
    Est la même oppression qui fait les maisons plus dangereuses
    Plus qu’aucune rue

    La rue est à tous les amours
    Elle est à ceux qui ont dû l’occuper
    Pour le droit d’exister

    Tout le discours moraliste qui s’oppose à l’égalité
    Qui s’oppose à l’autonomie du corps
    Est une sorte de tribunal de l’inquisition

    La rue ne comporte pas des privilèges
    Elle n’a pas de prix ni de propriétaire

    Elle est comme le vent, le soleil, la pluie
    La chaleur, les nuages, les couleurs
    Ma joie et mes douleurs.

    C’est pour ça qu’aujourd’hui je suis descendu dans la rue

    13 juin 2013, nuit froide
    On a pris la rue pour lui redonner ce qui lui appartient de droit
    Le lieu de la plus légitime assemblée

    Dans la télé 5 mil vandales sans cause interrompaient le trafic

    Dans les rues…
    15, 20 ou 30 mille personnes luttaient pour une vie sans tourniquets

    On nous appelait des « fous » comme on le faisait pour les « balaios », vanniers qui livraient combat ouvert au pouvoir en 1838
    Dans un pays bâti sur les corps, assis sur le sang
    Des exploités

    On nous appelait des « criminels violents » comme on appelle violente un fleuve qui tout emporte
    Mais non pas les rives que l’enserrent

    Des criminels, ainsi étaient appelés aussi les luddites,
    Les Black panthers, les zapatistes, les féministes,
    Les milices espagnoles, les guérillas d’Amérique Latine
    Les insurgés d’Istanbul, du Caire et d’Athènes
    De Buenos Aires, Paris, Cochabamba
    Péquin, Porto Principe, Gaza
    Londres, Soweto, Lisbonne

    Les travailleurs anarchistes de l’Italie ou de São Paulo
    Les habitants des quilombos de Jamaïque ou de Bahia
    Les rebelles et les poètes de toutes les périphéries

    Des fous, des criminels, des étudiants
    On veut nous enfermer dans les hôpitaux psychiatriques, dans les prisons, dans les écoles
    Loin de la rue

    On veut des grilles, des murs, des barreaux, des tourniquets
    Une ville où roulent les voitures, mais où les gens
    Sont renfermés

    Les journalistes, les docteurs, les hommes politiques ne peuvent pas comprendre
    Que la démocratie est bien plus que glisser une enveloppe dans une urne de temps en temps

    Que nous sommes prêts à faire notre histoire même dans les pires des conditions
    Que nous n’avons pas d’illusion, ni vivons-nous de fantaisies
    Nous sommes ceux qui bougent
    Et que pour ça nous sentons le poids des chaînes qui nous lient

    Ils peuvent mais ne veulent pas comprendre
    Que nous savons déjà que l’État et le capital sont des jumeaux conjoints
    Ils se disputent souvent, mais ils partagent le même sang et le même cœur
    Ils sont nés ensemble et ils mourront ensemble par les mains des exploités

    Que nous savons déjà que l’état de siège dans lequel nous vivons
    Est la règle générale
    Que cette paix que l’on nous offre n’est rien d’autre que de la peur

    Qu’une fois finie cette peur, il n’y aura personne qui puisse défendre leurs grandes maisons
    Et il ne manquera pas ceux qui ouvriront les portes par l’intérieur

    Que dans un temps de désordre sanglant et de confusion organisée,
    Rien ne nous semble naturel
    Rien ne nous semble impossible de changer

    Que maintenant on se moque des mensonges de la télé
    (Un policier qui casse les vitres de sa propre voiture de police)
    Que le roi est nu et sa photo est sur les réseaux sociaux

    Qu’en nous organisant nous avons désorganisé
    Et que c’est en désorganisant
    Que nous allons nous organiser

    Rien qui puisse arriver ne va nous ôter le sentiment
    D’être montés à l’assaut du ciel
    D’avoir vu surgir la vie à travers la fumée du lacrymogène

    On a arraché la politique aux mailles du monde profane

    Nos mots sont dédiés à
    Ademir, André, Carlos Eduardo
    Cleonice, Douglas, Eraldo
    Fabrício, Igor, Jonatha
    José Everton, Lucas, Luiz
    Marcos, Renato, Roberto, Valdinete

    Et à toutes les victimes anonymes de la violence d’État
    Dans la défense féroce du Capital

    Dans la rue un monument ne peut pas être innocent
    Dans la rue ceux qu’y sont tombés reviennent pour lutter avec nous

    Si l’ennemi triomphe, même les morts ne seront pas en sûreté
    Nous combattons pour qu’ils ne meurent pas la mort de l’oubli
    Nous combattons pour empêcher la victoire de l’ennemi

  • Anthem to the Street, in English

    She is more than the asphalt floor where I step
    She is the path that leads us to freedom
    When the oppressed people conquer her
    She is the most beautiful part of the city
    She is the one who hears our screams
    The laughter, the crying, the moan of pain
    The bombs, shootings, and brutal blows
    Of those who practice war and talk about peace

    [Chorus]
    She is of the singing, of the drumming
    It is the united people who holds her
    She is of the flags, of the barricades
    She is of everyone because she is of no one
    She is neither of the chiefs, nor of the bosses
    She is not a possession, she is not a property
    Neither of the states nor of the nations
    She is of everyone because she is of no one

    Street. My second home
    First soccer pitch.

    They want you only as a path
    For those who prey you with black smoke.

    They want you as a subject of planners,
    Engineers,
    Criminologists.

    I want you as a subject of poets
    Of lovers
    And of people rebelling.

    I want you
    Of everyone who built you but who can’t enjoy you now
    Because they were discarded, ‘cause they were dumped.

    Every occupation that stands in the downtown area
    Has a bit of quilombo in it

    Threat to the urban landlordism
    Gray monoculture moved by oil and sweat
    The sweat of those who come in crowded trains

    Every bus that comes crowded from the ghettos, that comes full of turnstiles
    Has a bit of slave ship in it
    Inhuman transportation of human flesh
    To be grinded and deboned at work

    Street, you are from all of those
    Who outside work are suspects
    Of stealing, of plundering, of disagreeing
    Or not contributing to the growth of Gross Domestic Product

    It was in your squares that a long time ago they raised
    Pillories and stables

    One who wears the hood and exterminates people in the slum is a bit of a slavehunter

    Street,
    I want you to be of the women taught since early that they can only play indoors
    Because the street is dangerous, ‘cause the street is violent
    Because the street is of the boys who don’t know how to respect them

    Street, I know you, who turns you into a threat to girls and women
    Is the same oppression that makes the houses unsafe
    More than the streets

    The street is of all the loves
    It’s of those who had to occupy it
    In order to earn the right to exist

    Every moralist discourse which opposes to equality
    Which opposes to autonomy over the body
    Is a bit of Inquisition Tribunal

    The street does not carry privileges,
    It has no owner and no price

    It’s like the wind, the sun, the rain
    The heat, the clouds, the colors
    My joy and my pain.

    That’s why I came to the street today

    June 13, 2013, cold night…
    We occupied the street to return what belongs rightfully to it
    The place of the most legitimate assembly

    On the TV, five thousands vandals without a cause interrupt the traffic

    On the streets…
    15, 20 or 30 thousands fought for a life without turnstiles

    They call us “madmen” just as they called the “balaios” [basket makers – rebels of Maranhão, Brazil, 1838-1840] who faced power head to head
    In a country built on bodies, seated on the blood
    Of the exploited ones

    We were called “violent criminals” as they call violent the river that drags all
    But not the riverbanks that overwhelm it

    Criminals were also called the Luddites,
    Black Panthers, Zapatistas, Feminists
    Spain’s militia, Latin America’s guerrillas

    The insurgents of Istanbul, Cairo and Athens
    Buenos Aires, Paris, Cochabamba
    Beijing, Port au Prince, Gaza
    London, Soweto, Lisbon

    Anarchist workers from Italy or São Paulo
    Maroons from Jamaica or from Bahia
    Rebels and poets from all peripheries

    Madmen, criminals, students
    They want us within hospices, prisons, schools
    Away from the streets

    They want the grids, walls, fences, turnstiles
    A city where the cars move, but where people
    Are confined

    Journalists, doctors, politicians cannot understand
    That democracy is much more than just pushing a button from time to time

    That we’re willing to make our own history even in the worst conditions
    That we have no illusions, nor live in fantasies
    That we’re those who move
    And so we feel the weight of the chains that seize us

    They can, but don’t want to understand
    That we already know that the State and the Capital are Siamese twins
    They always fight, but they share the same blood and the same heart
    They were born together and together they’ll die from the exploited’s hands

    That we already know that the state of exception in which we live
    It’s actually the rule
    That this peace they offer us is nothing but fear

    That when this fear passes no one will defend their mansions
    And that there’ll always be someone to open the doors from the inside

    That in times of bloody disorder and organized turmoil,
    Nothing seems natural to us
    Nothing seems impossible to change

    Now that the TV’s lies are a laughingstock
    That the king is naked and his photos are on social networks

    That it was in organizing ourselves that we disorganize
    And that is disorganizing
    That we’ll organize ourselves

    Nothing that may happen will take away from us the feeling
    Of having stormed heaven
    Of having witnessed the life emerging from a cloud of tear gas

    We pulled politics out of the profane world’s meshes

    Our words are dedicated to
    Ademir, André, Carlos Eduardo
    Cleonice, Douglas, Eraldo
    Fabrício, Igor, Jonatha
    José Everton, Lucas, Luiz
    Marcos, Renato, Roberto, Valdinete
    And to all the anonymous victims of the state’s violence
    In its fierce defense of capital

    On the street no monument is innocent
    Those who died in it reappear to fight on our side

    The dead will not be safe if the enemy wins
    We fight so they do not die the death of oblivion
    We fight to prevent the enemy to win

  • Himno a la Calle, en Español

    Ella es más que el asfalto donde yo camino
    Ella es el camino que nos lleva a la libertad
    Cuando los pueblos oprimidos la conquistan
    Es la parte más hermosa de la ciudad
    Es ella quien escucha nuestros gritos
    La risa, el llanto, el lamento de dolor
    Las bombas, disparos, los golpes brutales
    De quien practica la guerra y habla en paz

    [estribillo]

    Ella es de los cantos, de los tamboriles
    Es el pueblo unido quien la detiene
    Es de las banderas, de las barricadas
    Ella es de todos porque es de nadie
    No es de los jefes, ni de los patronos
    No es una posesión, no es un bien
    Ni de los Estados, ni de las naciones
    Ella es de todos porque es de nadie

    Calle. Segundo hogar
    Primero campo de fútbol
    Te quieren sólo camino
    para quien te depreda con humo negro
    Te quieren asunto de urbanistas,
    ingenieros,
    criminalistas.

    Yo te quiero asunto de poetas
    De amantes
    Y de los pueblos rebelados.

    Te quiero
    De los que te construyeron y que hoy no te la pueden desfrutar
    Porque fueron descartados, porque fueran echados

    Toda ocupación que resiste en el centro de la ciudad
    tiene un poco de quilombo

    Amenaza al latifundio urbano
    Monocultivo gris movido a petróleo y sudor
    El sudor de quien viene en los trenes llenos

    Todo autobús que viene lleno de las periferias, que viene lleno de torniquetes
    tiene un poco de buque negrero
    Transporte deshumano de carne humana
    para ser molida y deshuesada en el trabajo

    Calle, usted es de todos
    Que fuera del trabajo son sospechosos
    De robar, de depredar, de discordar
    O de no contribuir para el crecimiento del Producto Nacional Bruto

    Quien viste una capucha y extermina en los barrios bajos es un poco capitán del mato

    Calle,
    Te quiero de las mujeres enseñadas desde temprano que sólo pueden jugar dentro de casa
    porque la calle es peligrosa, porque la calle es violenta
    porque la calle es de los chicos que no saben respetar
    Calle yo te conozco, quien te hace una amenaza a las chicas y mujeres
    Es la misma opresión que torna las casas inseguras
    Más que las calle

    La calle es de todos los amores
    Es de aquellos que tuvieran que ocuparla
    por el derecho de existir

    Todo discurso moralista que se opone a la igualdad
    Que se opone a la autonomía sobre el cuerpo
    Es un poco tribunal de la Inquisición

    La calle no comporta privilegios
    No tiene dueño ni precio

    Es como el viento, el sol, la lluvia
    El calor, las nubes, los colores
    mi alegría es mi dolores.

    Por eso hoy yo vine para calle

    El 13 de junio de 2013, noche fría
    Ocupamos la calle para devolver el que es de ella de derecho
    El lugar de la asamblea más legítima

    En la televisión 5 mil vándalos sin causa interrumpían el tránsito

    En las calles…
    15, 20 o 30 mil luchaban por una vida sin torniquetes

    Nos llamaban “locos” como llamaban los balaios que encaraban el poder de pecho abierto
    en un país construido sobre cuerpos, asentado sobre la sangre
    De los explotados
    Nos llamaban “criminosos violentos” como llamaban violento al río que todo arrastra
    Pero no los márgenes que lo oprimen

    Criminosos también eran llamados los luditas
    panteras negras, zapatistas, feministas
    milicianos de España, guerrilleros de Latino América

    insurrectos de Estambul, del Cairo y de Atenas
    de Buenos Aires, de Paris, de Cochabamba
    de Pekín, de Puerto Príncipe, de Gaza
    de Londres, de Soweto, de Lisboa

    Trabajadores anarquistas de Italia o de San Pablo
    quilombolas de Jamaica o de Bahia
    rebeldes y poetas de todas las periferias

    Locos, criminosos, estudiantes
    Nos quieren dentro de manicomios, de las cárceles, de las escuelas
    Lejos de las calles

    Quieren las rejas, los muros, las vallas, los torniquetes.
    Una ciudad en que circulan coches, pero donde las personas
    Son encerradas

    Periodistas, doctores, políticos no pueden entender
    Que democracia es mucho más que apretar un botón de vez en cuando

    Que tenemos ganas de hacer nuestra historia mismo en las peores condiciones
    Que no tenemos ilusiones, ni vivimos fantasías
    Somos aquellos que se mueven
    Y por eso sentimos el peso de las cadenas que nos encierran

    Ellos pueden pero no quieren entender
    Que ya sabemos que el estado y el capital son gemelos siameses
    Viven peleando, pero comparten la misma sangre y el mismo corazón
    Nacieron juntos y juntos van a morir por las manos de los explotados

    Que ya sabemos que el estado de excepción en que vivimos
    Es en realidad regla general
    Que esa paz que ofrecen no es nada además del miedo

    Que pasado este miedo no habrá quien defienda su palacio
    Y no va a faltar quien abra las portas por el lado de dentro

    Que en tiempo de desorden sangrenta y confusión organizada
    nada nos parece natural
    Nada nos parece imposible de cambiar

    Que ahora las mentiras de la tele son motivos de chistes
    Que el rey está desnudo y su foto está en las redes sociales

    Que fue nos organizando que nos desorganizamos
    Y que es desorganizando
    que vamos nos organizar

    Nada de lo que venga a ocurrir va a sacar de nosotros el sentimiento
    de tener tomado el cielo de golpe
    de tener presenciado cuando la vida surgió de una nube de gas lacrimógeno

    Arrancamos la política de las mallas del mundo profano

    Nuestras palabras dedicamos a
    Ademir, André, Carlos Eduardo
    Cleonice, Douglas, Eraldo
    Fabrício, Igor, Jonatha
    José Everton, Lucas, Luiz
    Marcos, Renato, Roberto, Valdinete

    Y a todas las víctimas anónimas de la violencia del Estado
    en su defensa feroz del capital

    En la calle ningún monumento es inocente
    En ella los que tumbaron resurgen para luchar al nuestro lado

    Los muertos no estarán seguros si el enemigo vencer
    Combatiremos para que no mueran la muerte del olvido
    Combatiremos para impedir el enemigo de vencer